Raiz

O Mucambos de Raiz Nagô teve como grande motivação ser construído primeiramente para atender a um desejo latente dos integrantes, de usar dessa forte manifestação, que é o maracatu de baque virado, para promover a transformação, que provém da energia dos toques dos tambores.

O grupo fundamenta-se simbolicamente em pilares que podemos comparar às partes de uma arvore: raiz, tronco, folhas, sementes e frutos.

RAIZ: considerada nosso pilar de sustentação, a ancestralidade é composta na sua essência como algo que está em tudo e em todos, representando o bem comum. A raiz  se faz com a perpetuação do que nossos antepassados, em resistência, mantiveram por séculos até hoje, e o papel dos que levantam essa bandeira de reforçar e expandir a cultura brasileira, nada mais é que manter a mesma de uma forma espontânea, forte, responsável e alegre, mantendo a raiz saudável.

TRONCO: que é o corpo tem como representatividade o formato que a cultura de maracatu de baque virado se expressa, na rua; para nós, a cultura de rua deve ter como ponto de partida e chegada a própria rua.

FOLHAS: são os detalhes e cada uma tem sua importância. Os toques, os adereços, as cores, as pessoas e a beleza são pontos que fazem do maracatu em uma concepção poética a grande clarividência da diversidade e miscigenação cultural que o maracatu traz para todos que o vêem passar simples e forte.

SEMENTE: representa o grande objetivo de disseminar a diversidade de nosso país. O plantio da semente, é o que nos alimenta e faz nossa raiz crescer se firmar; segue no centro de nossas ações, que temos a intenção de transformar, de forma fértil e que faça a cultura popular prosperar dentro do coração do povo, pois essa cultura nos representa; isto é o importante- se o maracatu do Mucambos de Raiz Nagô tem alguma importância em qualquer lugar, só se faz real com a transformação e o plantio da semente, pois a essência é da transformação de Espaço, Comunidades e Pessoas.

FRUTOS: são a conclusão de tudo, se têm crianças perguntando o que é, se têm adultos lembrando de sua terra chorando ou rindo para o cortejo que passa, temos certeza de que nosso caminho é o certo, de que batemos nossos tambores não apenas para nossos ancestrais e sim batemos tambor para todos sentirem esse mesmo sentimento, de que essa manifestação é algo maior que o individuo, e deixa a todos com um sentimento que não cabe dentro do peito, olhos e ouvidos.

É importante salientar, que o Maracatu faz parte de uma cultura que vem sendo construída há séculos e em um contexto diferente do nosso, por isso o povo que o fez deve ser salientado, lembrado e comemorado sempre antes de qualquer toque do tambor. Se existe espaço para o maracatu aqui em São Paulo, em outros lugares do Brasil e até do mundo, ele existe devido a todos que lutaram e lutam para esse ritmo perdurar durante séculos dentro da história de nosso país. Partindo desse principio pedimos licença a todas as Nações de Maracatu para brincar com nossos tambores.

“Me dê licencia meu sinhô, me dê licencia d’ eu entrar em sua casa e batê o meu tambô”